O dilema de corrigir o rumo

30 de abril de 2024

Tenho observado que uma das coisas mais difíceis para uma pessoa fazer é mudar aquilo que está fazendo para algo melhor quando não há nada forçando-a externamente a fazê-lo. Para abrir mão de qualquer coisa em que estamos empenhados e mudar o foco da atenção e energia física em algo que talvez não seja tão imediato, fácil ou confortável…acredito que isso exija verdadeira força. 

Depois que você já está dentro, pode parecer loucura que se envolver em algo mais construtivo de se fazer seja tão difícil. Se eu simplesmente começar a me exercitar, escrever no meu jornal, planejar um projeto, esboçar um artigo, revisar meu trabalho, fazer minhas práticas espirituais ou sair para caminhar, então tudo flui relativamente bem a partir daí. Mas mudar a direção do meu foco mental e físico quando eu não estou particularmente a fim…isso é digno de uma Medalha de Honra! Até conseguir, eu sou como o herói do filme Top Gun, prestes a entrar em batalha, mas travado (“Ataque, Maverick…Ataque!”) e preso em minhas próprias travas psicológicas. 

É claro, as coisas nunca são tão dramáticas (ou românticas). Provavelmente seria mais fácil se assim o fosse. Coisas que eu fiz como viajar de mochilão de Istambul até Carachi, largar a faculdade, conseguir uma faixa preta e velejar sozinho num tempo ruim precisavam de coragem (e também uma dose de estupidez juvenil!). No entanto, por mais arriscados que pudessem parecer na época, eu acho que eles foram mais fáceis do que atualmente, em que preciso direcionar minha atenção e energias em algo que eu sei que será melhor para mim ao invés do que estou fazendo. 

Talvez eu esteja sendo piegas (David, qual foi o maior problema que você já TEVE?), mas quantas pessoas deixam múltiplos aspectos de suas vidas chegar no modo crise antes que elas tenham a motivação de fazer algo a respeito? Parece que é mais fácil deixar o drama de um problema ser o nosso motivador no lugar do senso intuitivo de que deveríamos ir naquela direção quando ainda é cedo o suficiente. Em outras palavras, lidar com as coisas quando você PRECISA é mais fácil que quando elas são resolvidas da forma mais produtiva. 

Eu não estou interessado em me tornar um mártir, embora esteja tentando puxar a sardinha para o meu lado. Eu pesquiso cada truque no livro para facilitar a tarefa de me engajar em coisas boas. Não há nada melhor que dispor de boas ferramentas nos lugares certos. Eu comprei as melhores roupas e acessórios de ioga que encontrei e os mantenho à mão em casa e nos quartos de hotel. Eu comprei uma bela caneta tinteiro que amo encontrar qualquer desculpa para usar (como refletir e escrever no meu jornal). Eu coloquei suplementos nutricionais que devo consumir regularmente no dispenser de água. Eu aproveito a minha inclinação para equipamentos organizacionais para me ajudar a realizar as tarefas. 

Mas não importa o quão engenhoso eu seja na elaboração de métodos que me ajudem em atividades produtivas, eu ainda preciso alongar minha musculatura psíquica para romper um padrão e começar um novo. Eu estou trabalhando no desenvolvimento do hábito de pular imediatamente para a tarefa que eu reconheça estar resistindo e que não esteja me sentindo tão confortável em realizar. Fazer coisas diferentes não é difícil. CONVENCER-ME a realizar isso merece uma medalha. 

Por: David Allen 

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